

Todos os detalhes da construção, terminada somente em 1938, lembram o estilo Luiz XVI. No ano de 1997 a secretaria do Estado de São Paulo assume e cria o Complexo Cultural Julio Prestes, aconsagrada como uma das mais importantes casa de eventos musicais e variados do país.
Passeamos pela historia, fomos tomar um café, vimos o ator Marcos Frota, o eterno "Da Lua", que rendeu uma quebra da minha ansiedade e um momento para relaxar em meio a livros e cds. A primeira chamada anunciava o disparo do meu coração, fomos calmamente até nossos assentos, na lateral do palco. Segunda chamada, apesar da noite fria e do ar condicionado da sala, eu já estava com muito calor.
Entra ao palco o regente, Maestro João Carlos Martins, que sofreu anos atrás com a perda dos movimentos das mãos e enfrentou a dor de limitar suas musicas no piano e não ter mais a firmeza em segurar uma batuta ou virar as paginas das partituras, mas seu amor pela musica falou sempre mais alto, raramente se vê ele tocar piano, mas o faz com todo o amor, apenas com três dedos que consegue mexer e a regência ele resolveu com o ato de "simplesmente" memorizar minuciosamente cada nota, cada ato.
Também haveria a apresentação de Antônio Abujamra, ator e diretor, na leitura do testamento de Bethoven.
Juntando tudo, ao fato de a 9º Sinfonia ter sido totalmente escrita pelo meu compositor favorito em sua decadência auditiva, e logo mais o apogeu por ser uma das mais maravilhosas sinfonias já escritas, eu estava em êxtase. Era uma apresentação de superação, ali na minha frente estava o amor e a superação através da musica.

Aplaudi em pé, todos aplaudiram, foram 3 minutos de aplausos, fortes, firmes, emocionados e depois de pedidos feitos carinhosamente, João Carlos Martins pediu para que subissem o piano, iria nos presentear com 7 minutos da musica de Ennio Morricone, Love Theme, eu demorei a acreditar, achei que meus ouvidos estivessem me pregando uma peça, mas não, todos sentaram e não acreditavam, enquanto ele recebia ajuda para retirar as talas das mãos ao meu redor todos se seguravam. Sim, ele iria tocar a musica tema do filme Cinema Paradiso, se antes todos choravam emocionados, agora as lagrimas escorriam sem controle nenhum, copiosamente, vindo do fundo do coração. Uma noite que nunca vou esquecer, ver João Carlos Martins reger minha sinfonia predileta e depois tocar, com penas 3 dedos uma das maiores musicas do cinema foi inacreditável.
Ao deixar a sala, senti o vento de outono em meu rosto, meu coração leve e feliz dizia que era hora de pegar a estrada e ir para casa. Mas fomos jantar e falar sobre a experiencia, me emocionei novamente e em casa tive a noite mais deliciosa que uma pessoa poderia ter. Dormi com o prazer de um sonho completo e cheio de surpresas realizado.